A psoríase é uma doença inflamatória crónica autoimune que acelera a renovação das células da pele, provocando placas espessas, descamativas e avermelhadas. É mais frequente em áreas como cotovelos, joelhos, couro cabeludo e parte inferior das costas, mas pode afetar qualquer zona do corpo.
Não é contagiosa e a sua gravidade pode variar de pequenas placas localizadas a formas mais extensas e incapacitantes. Embora não tenha cura, existem tratamentos eficazes que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Índice
Porque Surge a Psoríase?
A psoríase resulta de uma resposta imunitária anormal, que acelera o ciclo de renovação da pele de semanas para apenas alguns dias. Esta renovação excessiva leva ao acúmulo de células e à formação das placas características.
Fatores que podem desencadear ou agravar a psoríase:
- Predisposição genética (histórico familiar)
- Stress emocional
- Lesões na pele (fenómeno de Koebner)
- Infeções (ex.: estreptocócicas)
- Consumo excessivo de álcool ou tabaco
- Certos medicamentos (ex.: beta-bloqueadores, lítio, AINEs, corticoides orais)
- Alterações hormonais (gravidez, menopausa)
Quem Pode Ter Psoríase?
A psoríase pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequentemente diagnosticada:
- Na adolescência ou início da idade adulta
- Em idosos, entre os 50 e 70 anos
Homens e mulheres são afetados de forma semelhante. Aproximadamente 30% dos doentes têm familiares com psoríase, e cerca de um terço pode desenvolver artrite psoriática, com dor e inflamação nas articulações.
A psoríase também está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e ansiedade/depressão.

Sinais e Sintomas
A psoríase pode apresentar-se de forma ligeira ou mais extensa, mas existem sinais típicos que ajudam a reconhecê-la cedo e a procurar tratamento adequado.
- Placas espessas, elevadas e com descamação visível — rosadas ou vermelhas em tons de pele claros; púrpura, acinzentadas ou castanho-escuras em tons de pele escuros.
- Prurido ou dor na pele, que em alguns casos também pode afetar as articulações.
- Localizações frequentes: cotovelos, joelhos, couro cabeludo, tronco, mãos, pés e pregas cutâneas (como axilas, virilhas e região genital).
- Alterações nas unhas: pequenas depressões (pitting), manchas amareladas ou onicólise (quando a unha se solta do leito ungueal).
- Sinais de doença mais grave: inflamação ocular (uveíte), inchaço dos dedos das mãos ou pés (dactilite) e inflamação de tendões e ligamentos, que pode limitar o movimento e causar dor persistente.
Gravidade da Psoríase
A gravidade da psoríase não depende apenas da quantidade de pele afetada, mas também das zonas envolvidas e do impacto que causa no dia a dia.
- Ligeira — afeta menos de 10% da superfície corporal e, na maioria dos casos, pode ser controlada com tratamentos tópicos ou fototerapia.
- Moderada a grave — envolve mais de 10% da pele ou atinge áreas críticas, como mãos, pés, couro cabeludo, genitais ou rosto. Nestes casos, pode ser necessário recorrer a terapias sistémicas ou biológicas.
💡 Nota: Mesmo quando a área afetada é pequena, se as lesões estiverem em locais de grande impacto funcional ou emocional, o tratamento pode ter de ser mais intensivo para preservar a qualidade de vida.
Tratamento da Psoríase
A psoríase não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamentos adequados. O objetivo é reduzir as lesões, aliviar o desconforto e prevenir novas crises. O tratamento ideal deve ser adaptado à gravidade da doença, ao tipo de psoríase e às necessidades de cada pessoa.
1. Cuidados diários essenciais — a base de todo o tratamento
- Hidratar a pele todos os dias — reduz a descamação, melhora o aspeto das placas e diminui o prurido. Prefira cremes ou pomadas espessas, aplicados logo após o banho, para reter a humidade.
- Banhos mornos e curtos — suavizam as escamas e aliviam o desconforto. Evite água muito quente e sabonetes agressivos.
- Evitar fricção e lesões na pele — o trauma cutâneo pode agravar a psoríase (fenómeno de Koebner).
2. Tratamentos tópicos — para casos ligeiros ou como complemento
- Corticosteroides tópicos — reduzem a inflamação e a vermelhidão. Devem ser usados de acordo com prescrição médica, alternando períodos de uso e descanso para evitar efeitos adversos como afinamento da pele.
- Derivados da vitamina D (ex.: calcipotriol) — regulam a renovação celular e ajudam a reduzir as placas.
- Ácido salicílico — útil para remover escamas espessas, especialmente no couro cabeludo. Pode ser combinado com outros tratamentos para aumentar a eficácia.
3. Fototerapia — quando o tratamento tópico não é suficiente
- Exposição controlada à luz UVB — retarda a produção excessiva de células da pele. É feita em ambiente clínico para garantir segurança e eficácia.
- Exposição solar moderada — 10-15 minutos, 2-3 vezes por semana, pode ser benéfica, mas deve evitar queimaduras solares.
4. Tratamentos sistémicos — para psoríase moderada a grave
- Medicamentos orais (ex.: metotrexato, ciclosporina, apremilast) — atuam sobre o sistema imunitário para reduzir a inflamação.
- Terapias biológicas — injetáveis que bloqueiam moléculas específicas envolvidas no processo inflamatório. São indicados para casos graves ou resistentes a outros tratamentos.
⚠ Aviso de segurança: Todos os medicamentos sistémicos e biológicos têm potenciais efeitos secundários importantes. Devem ser prescritos e monitorizados por um dermatologista.
Prevenção e Gestão de Crises
A psoríase é uma condição crónica com períodos de melhoria e agravamento. Embora não exista forma de impedir totalmente as crises, é possível reduzir a frequência e a intensidade dos surtos com cuidados consistentes e hábitos diários adequados.
Mantenha a pele bem hidratada — Aplique cremes ou pomadas espessas, sem fragrância, várias vezes ao dia, especialmente após o banho. A hidratação mantém a barreira cutânea saudável e reduz o prurido, diminuindo o risco de novas lesões.
Identifique e evite desencadeantes — Lesões na pele, stress, álcool, tabaco, certos medicamentos e infeções podem agravar a psoríase. Registar quando ocorrem as crises ajuda a perceber padrões e, se necessário, a discutir ajustes com o médico.
Alimente-se de forma equilibrada e mantenha um peso saudável — O excesso de peso e dietas inflamatórias podem agravar os sintomas. Prefira alimentos frescos e variados, como frutas, legumes e peixes ricos em ómega-3, reduzindo açúcares, ultraprocessados e gorduras saturadas.
Exponha-se ao sol com moderação — Pequenas doses de luz solar natural, cerca de 10 a 15 minutos, duas a três vezes por semana, podem ser benéficas. Utilize sempre protetor solar nas áreas não afetadas e evite horários de radiação intensa.
Reduza o stress diário — Técnicas como meditação, yoga, exercícios de respiração ou caminhadas regulares podem ajudar a controlar crises, já que o stress é um dos principais gatilhos da psoríase.
Procure avaliação médica atempada — O agravamento rápido ou o aparecimento de lesões em zonas sensíveis requerem atenção especializada. O tratamento precoce ajuda a encurtar as crises e previne complicações, como a artrite psoriática.
Quando Procurar Ajuda Médica
A psoríase pode variar de formas ligeiras e localizadas a quadros mais graves que afetam a qualidade de vida. A avaliação médica é fundamental sempre que:
- As lesões aumentam rapidamente ou tornam-se dolorosas.
- Aparecem sinais de infeção, como calor, vermelhidão intensa, pus ou crostas amareladas.
- As placas afetam zonas sensíveis, como mãos, pés, rosto, couro cabeludo, genitais ou pregas cutâneas.
- Os tratamentos habituais deixam de funcionar ou já não controlam os sintomas.
- Surge dor ou rigidez nas articulações, inchaço nos dedos ou dificuldade em mover-se, sinais que podem indicar artrite psoriática.
O diagnóstico e tratamento atempados não só ajudam a controlar as crises, como também reduzem o risco de complicações a longo prazo.
Um dermatologista poderá prescrever o tratamento mais adequado, incluindo terapias tópicas, fototerapia, medicamentos sistémicos ou biológicos.
Na MyDermaCare, a sua consulta de dermatologia online é feita por médicos dermatologistas que analisam o seu caso e enviam um relatório médico completo com diagnóstico, plano de tratamento e receita médica eletrónica. Normalmente, recebe a resposta em 24h úteis — sem sair de casa.
Perguntas Frequentes
A psoríase é contagiosa?
Não. A psoríase é uma doença autoimune crónica, não se transmite por contacto com outra pessoa ou por partilhar objetos.
A psoríase pode desaparecer completamente?
Não há cura definitiva. No entanto, com tratamento adequado e seguimento regular, muitos doentes alcançam remissão prolongada das lesões e períodos sem sintomas.
Quais os fatores que desencadeiam surtos de psoríase?
Stress emocional, infeções (ex: garganta estreptocócica), lesões na pele (cortes, fricção), consumo excessivo de álcool, tabaco e alguns medicamentos (beta-bloqueadores, lítio, AINEs) são gatilhos comuns.
A psoríase pode afetar as articulações?
Sim. Entre 10 % e 30 % das pessoas com psoríase desenvolvem artrite psoriática, que causa dor, rigidez e inchaço nas articulações — especialmente dedos das mãos/pés, punhos e coluna.
O que posso usar para aliviar as placas no couro cabeludo?
Champôs terapêuticos com ácido salicílico ou alcatrão mineral, combinados com corticoides tópicos ou análogos da vitamina D, são frequentemente utilizados. Mas devem ser prescritos e acompanhados por um dermatologista.
Quanto tempo demora até ver melhora com tratamento?
Em muitos casos, as primeiras melhorias surgem em 4 a 8 semanas, mas o controle completo pode exigir meses. É importante manter o tratamento e fazer consultas de acompanhamento para ajustar a terapêutica conforme necessário.
A psoríase tem relação com outras doenças?
Sim. Pessoas com psoríase têm maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, sobrepeso, depressão e problemas metabólicos. Monitorização médica regular é recomendada.
A psoríase é hereditária?
Sim, existe uma predisposição genética. Ter familiares com psoríase aumenta o risco de desenvolver a doença, embora nem todas as pessoas com essa predisposição venham a manifestá-la.

Dr. Filipe Carvalho é médico e Diretor Clínico da MyDermaCare. Supervisiona e valida todos os conteúdos médicos do site, em colaboração com a equipa de dermatologistas, garantindo informação rigorosa e alinhada com as recomendações científicas internacionais. OM 55769